MICROBIOTA INTESTINAL E IMUNIDADE

     Convivemos em associação com um amplo número de microrganismos na pele, na boca, e nos diferentes sistemas do nosso organismo, que é conhecido como nosso MICROBIOMA. No entanto, é no trato gastrointestinal que se concentra  a maior parte desses nossos companheiros de viagem, constituindo assim a nossa MICROBIOTA intestinal. Tais microrganismos têm importantes funções na nossa saúde, quais sejam: estimular o sistema imunológico, proteger ao hospedeiro diante da invasão de patógenos e melhorar a digestão, especialmente de carboidratos complexos. Portanto, a microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na saúde através de suas ações protetoras, tróficas e metabólicas. Enquanto os micróbios recebem um habitat e nutrição do hospedeiro, estes micróbios, por sua vez, ajudam o hospedeiro regulando suas várias funções fisiológicas incluindo a ingestão dietética, e conferindo imunidade protetora contra patógenos. 

      As alterações da microbiota intestinal às vezes chamadas coletivamente de “disbiose intestinal” demonstraram estar associadas a várias doenças e distúrbios como a Síndrome do intestino irritável, diabetes tipo 2, depressão, doenças cardiovasculares. A dieta, fatores ambientais e genéticos desempenham um papel importante na formação da microbiota intestinal que pode influenciar na imunidade. Sabe-se que a diversidade da microbiota intestinal é reduzida na velhice e a Covid-19 tem sido principalmente fatal em pacientes idosos, o que aponta para o papel que a microbiota intestinal pode desempenhar nesta doença. Observa-se que a microbiota intestinal pode influenciar a resposta imunitária, afetando assim a progressão da doença. Tanto uma resposta imunitária demasiado ativa como uma resposta imunitária pouco ativa, possivelmente mediada pela microbiota intestinal, pode conduzir a acontecimentos clínicos adversos graves.  

        De modo geral, é aparente que a modulação mediada pela dieta da microbiota intestinal e até mesmo da microbiota pulmonar pode influenciar a imunidade. Portanto, a dieta especialmente, personalizada, pode melhorar a profilaxia e pode ser administrada de forma ponderada aos pacientes afetados com Covid-19 para acelerar a recuperação e melhorar os resultados clínicos. Melhorar o perfil da microbiota intestinal por meio de uma nutrição personalizada e com suplementação pode ser uma das formas profiláticas através das quais o impacto desta doença pode ser minimizado em pessoas idosas e pacientes imunodeprimidos. 

         Como a microbiota intestinal é maleável e é modulada pela dieta, é imperativo que estratégias de dieta personalizadas possam ser implementadas como um suplemento às terapias de rotina atuais. Uma dieta funcional, pensada e elaborada de forma consciente deve incluir prebióticos e probióticos. No caso dos prebióticos, seu uso tem  mostrado que ocorre uma alteração não apenas da microbiota intestinal, mas também pode afetar a microbiota pulmonar, indicando a influência da nutrição na imunidade pulmonar. 

        Como os prebióticos, o papel dos probióticos, geralmente definido como “microorganismos vivos, que quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro”, demonstrou ter um efeito profundo sobre a saúde do hospedeiro. Foi demonstrado que os probióticos reduzem a resposta imune inflamatória induzindo a apoptose inflamatória das células T e suprimindo a expansão clonal das células T, e estão sendo feitas pesquisas para determinar se as cepas probióticas podem alterar a função das células dendríticas que apresentam antígenos. Outro mecanismo teórico é baseado na supressão do crescimento de patógenos induzido por probióticos através da secreção de fatores antimicrobianos, como ácido lático e bacteriocinas, assim como é possível que algumas cepas probióticas podem  inibir a interação de patógenos com células epiteliais intestinais. 

        Foi demonstrado que existem vários mecanismos pelos quais os probióticos podem agir, tais como interação contra produtos microbianos, efeito direto sobre outros organismos microbianos e interação com o sistema imunológico. Alimentos fermentados, principalmente contendo lactobacilos e bifidobactérias têm sido utilizados na prevenção profilática da diarréia do viajante e os probióticos têm mostrado bons resultados na melhoria das condições inflamatórias, bem como na regulação da imunidade inata.

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